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Marketing de femtech no Brasil: por onde uma marca nova começa

Marketing de femtech no Brasil: por onde uma marca nova começa

Gui Loureiro

Gui Loureiro

14 de jul. de 2026 · 4 min de leitura

Resumo rápido

  • O Brasil tem entre 23 e cerca de 27 femtechs mapeadas, segundo o Inside Healthtech Report e o Distrito, um grupo pequeno perto das mais de 13 mil startups do país, mesmo com um mercado potencial de US$ 5,8 bilhões (R$ 32 bilhões) estimado pela Frost & Sullivan.
  • Só 4,7% das empresas brasileiras nascem com fundação exclusivamente feminina, segundo o Female Founders Report da B2Mamy com Distrito e Endeavor, o que ajuda a explicar por que quase ninguém no país ainda constrói autoridade de categoria em femtech.
  • A Oya Care nasceu 100% digital vendendo um exame de fertilidade e só expandiu para clínica física e jornada completa de saúde feminina depois de validar a demanda; a recorrência de pacientes saltou de menos de 10% para 46%, com faturamento crescendo mais de 400%.
  • A PlenaPausa cresceu de um questionário gratuito sobre estágio da menopausa, mais de 17 mil mulheres avaliadas e 2 mil numa comunidade online, para virar assinatura paga só depois de comprovar interesse; hoje se posiciona como a 'Dr. Consulta da menopausa'.
  • A sequência que funciona para uma femtech nova no Brasil é educar o mercado primeiro, construir prova social depois, e escalar aquisição paga só quando já existe demanda comprovada e retenção real para sustentar o custo por clique.

Uma founder de femtech me perguntou outro dia qual agência ela deveria copiar. Fui atrás de uma resposta honesta e esbarrei num problema antes de chegar ao nome de alguém: não tem quem copiar. O Brasil tem entre 23 e pouco mais de 27 femtechs mapeadas, um punhado de empresas tentando abrir um mercado que a Frost & Sullivan avalia em US$ 5,8 bilhões. Não existe o "líder de categoria" que todo mundo espia. Isso muda a ordem em que uma marca nova precisa agir.

23 a 27femtechs mapeadas no Brasil, segundo o Inside Healthtech Report e o DistritoDistrito / Inside Healthtech Report

Um universo desse tamanho, perto das mais de 13 mil startups brasileiras, significa que boa parte do público nunca ouviu o termo "femtech" e mistura saúde menstrual, fertilidade, menopausa e saúde pélvica na mesma gaveta mental. Rodar tráfego pago pra esse público sai caro pra pouco retorno: você paga pelo clique de quem está só curioso, porque a categoria ainda não existe na cabeça de quem decide. O trabalho antes do funil é ensinar: explicar o problema que a categoria resolve, antes de vender o produto que resolve ele.

Esse gargalo de quem constrói tem um motivo estrutural. Segundo o Female Founders Report, produzido pela B2Mamy com Distrito e Endeavor, apenas 4,7% das empresas brasileiras nascem com fundação exclusivamente feminina, e saúde e biotecnologia é justamente o setor onde essas fundadoras mais aparecem. É um mercado com pouca gente construindo dos dois lados: poucas empresas e pouco investimento indo pra elas. Sobra espaço; falta quem construa autoridade de categoria antes de vender produto.

A própria B2Mamy é prova de que dá pra crescer construindo essa autoridade antes de vender qualquer coisa: nasceu como organização de capacitação pra mães empreendedoras, virou referência do ecossistema, e hoje é uma das idealizadoras do movimento Femtechs Brasil, hub que existe justamente pra dar nome e cara a um setor que, sem isso, ficaria disperso e ilegível pro consumidor.

A PlenaPausa fez o mesmo movimento numa escala diferente. Lançou um questionário gratuito pra mulher entender em que estágio da menopausa estava, de graça, sem venda nenhuma embutida. Mais de 17 mil mulheres passaram pelo teste, e cerca de 2 mil entraram numa comunidade online pra trocar experiência. Só depois desse volume de gente interessada a empresa lançou um modelo de assinatura paga, com planos trimestral e semestral, virando o que os próprios fundadores chamam de "Dr. Consulta da menopausa".

Repare no padrão nas duas: nenhuma tentou vender o produto caro no dia 1. As duas usaram uma oferta de entrada, um exame, um questionário, pra aprender com o mercado antes de pedir cartão de crédito. Isso constrói prova social com o próprio produto, de graça, antes de qualquer real gasto em mídia paga.

A ordem que sustenta crescimento numa categoria jovem é clara: educar primeiro pra fundar a categoria na cabeça do público, provar depois com casos e números de retenção, e só então investir pesado em aquisição, com um produto e uma prova que já sustentam o custo por clique.

A categoria ainda está em aberto

Femtech no Brasil não tem líder consolidado, e isso é notícia boa pra quem está começando: dá pra virar a referência, não só mais um nome na lista. Isso exige aceitar que os primeiros meses de uma marca nova nessa categoria pedem paciência: ensinar primeiro, provar depois, escalar por último. Quem pula direto pra aquisição paga sem essas duas etapas antes paga caro pra converter gente que ainda nem entendeu o problema.

Na 3mais, é esse tipo de estratégia que gostamos de montar com quem constrói marca desde a fundação: decidir a categoria antes de decidir o canal. Se você está lançando uma femtech e quer pensar essa sequência com clareza, antes de gastar o primeiro real em mídia, vale conversar.

Fontes: Distrito e Inside Healthtech Report (mapeamento de 23 a mais de 27 femtechs no Brasil); Frost & Sullivan via InfoMoney (mercado femtech brasileiro avaliado em US$ 5,8 bilhões / R$ 32 bilhões); Female Founders Report da B2Mamy com Distrito e Endeavor (4,7% das empresas brasileiras com fundação exclusivamente feminina; saúde e biotecnologia como setor de destaque entre fundadoras); Femtechs Brasil (movimento de categoria co-idealizado pela B2Mamy); Startups.com.br (Oya Care: recorrência de menos de 10% para 46%, faturamento +400% após expansão para clínica física; PlenaPausa: mais de 17 mil mulheres no questionário gratuito de menopausa, 2 mil na comunidade online, evolução para modelo de assinatura "Dr. Consulta da menopausa").

Gui Loureiro

Autoria

Gui Loureiro

Diretor de Estratégia · 3mais

Especialista em comunicação integrada e marketing digital há mais de 20 anos. Estratégia phygital, mídia, automação e IA.

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Perguntas frequentes

Por que o playbook de "mais um app de saúde" não funciona pra femtech?

Porque esse playbook pressupõe categoria madura, e femtech no Brasil ainda não tem uma. Quem lança um app de telemedicina genérica ou de nutrição entra num mercado em que o comparador já existe na cabeça do usuário: ele sabe quanto deveria custar e tem uma régua de "bom" formada de anos vendo concorrente atrás de concorrente. Femtech não tem essa régua pronta.

O que vem primeiro: educação ou aquisição paga?

Educação vem primeiro. Numa categoria sem líder estabelecido, o trabalho inicial de marketing é ensinar o mercado a nomear o próprio problema, porque ninguém compra solução pra um problema que ainda não sabe que tem. A prova de que a sua marca resolve esse problema melhor que qualquer alternativa entra depois. E aquisição paga fecha a fila: comprar mídia pra empurrar produto numa categoria que o público ainda não reconhece é gastar CAC alto pra converter gente que nem sabia que precisava decidir.

Como Oya Care e PlenaPausa validaram antes de escalar?

Vendendo pouco, de propósito, até o dado confirmar que tinha demanda. A Oya Care começou 100% digital, com um produto único: exame de fertilidade online, incluindo dosagem hormonal e análise de idade fértil. Só depois de validar que aquele problema tinha procura real é que a empresa abriu clínica física em São Paulo e expandiu pra uma jornada completa de saúde feminina: ginecologia, contracepção, procedimentos. A recorrência de pacientes saltou de menos de 10% pra 46% depois dessa validação, e o faturamento cresceu mais de 400%.

Quando faz sentido escalar com mídia paga?

Quando já existe o que mostrar pra quem chega pelo anúncio: depoimento, retenção, um caso de uso com nome e sobrenome. Essa matéria-prima baixa o custo de convencer um desconhecido. Sem ela, o anúncio sozinho precisa explicar a categoria inteira e fechar a venda ao mesmo tempo. Isso sai caro e converte pouco, além de ensinar o mercado de graça pro concorrente que chegar depois sem ter gastado nada em educação.

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