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Por que a menopausa virou o novo mercado quente da saúde

Por que a menopausa virou o novo mercado quente da saúde

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Luciana

14 de jul. de 2026 · 5 min de leitura

Resumo rápido

  • A população brasileira com 60 anos ou mais saltou de 22 milhões em 2012 para 34,1 milhões em 2024, alta de 53,3% (IBGE, Síntese de Indicadores Sociais 2025). Quem entra na menopausa hoje é a ponte direta pra essa curva.
  • A PlenaPausa ampliou o modelo em agosto de 2024 pra funcionar como um “Dr. Consulta da menopausa”: mais de 17 mil mulheres já avaliadas na plataforma e mais de 2 mil em círculos de conversa online (startups.com.br).
  • O app Raquel Menopausa passa de 60 mil downloads e roda cerca de 40 mil acessos por dia, com IA treinada só em ciência e conteúdo em 8 idiomas; a primeira rodada de investimento está planejada pro segundo semestre de 2026 (startups.com.br).
  • O investimento global em femtechs voltadas à menopausa quase triplicou entre 2021 e 2022, de US$ 12 milhões pra US$ 49 milhões, dentro de um mercado femtech de US$ 1 bilhão (Fast Company Brasil).
  • A economia prateada já movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil e reúne 4,5 milhões de empreendedores 60+ — a menopausa é a porta de entrada dessa faixa etária pro consumo de saúde (Agência Brasil).

Toda vez que um assunto de saúde da mulher passa décadas em silêncio e some do noticiário, ele volta cobrando juros. Foi assim com a saúde mental. Foi assim com a fertilidade. E é o que está acontecendo agora com a menopausa: um capítulo da vida que metade da população vive e que, até pouco tempo atrás, quase não tinha produto, dado ou marca falando sobre ele de verdade.

Isso mudou rápido. E não por acaso — mudou porque duas curvas que já vinham subindo separadas se encontraram.

A primeira é demográfica, e o tamanho dela é difícil de ignorar. A população brasileira com 60 anos ou mais saltou de 22 milhões em 2012 para 34,1 milhões em 2024, alta de 53,3% em pouco mais de uma década, segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2025 do IBGE. Esse público movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano e reúne 4,5 milhões de empreendedores acima dos 60, de acordo com levantamento da Agência Brasil. A menopausa, que costuma chegar entre os 45 e os 55 anos, é literalmente a porta de entrada dessa faixa etária: é o primeiro sinal do corpo de que a segunda metade da vida começou, e é aí que a mulher passa a procurar informação, tratamento e comunidade, muitas vezes pela primeira vez.

A segunda curva é cultural. Durante muito tempo, falar de calorão, insônia e queda de libido em público era praticamente proibido — coisa pra resolver escondida, sozinha, sem informação confiável. Isso rachou. A Fast Company Brasil registrou o tamanho da virada: o investimento global em femtechs somou US$ 1 bilhão em 2022, e o subsegmento de menopausa recebeu US$ 49 milhões nesse mesmo ano, quase o triplo dos US$ 12 milhões investidos em 2021. Pesquisa da própria PlenaPausa mostra por que o problema é urgente pra quem trabalha: 40% das mulheres já consideraram deixar o emprego por causa da intensidade dos sintomas, e mais da metade diz que a produtividade cai no período.

Junte as duas curvas e o resultado é óbvio, só que ninguém tinha juntado antes: um público que cresce, tem renda, e finalmente tem permissão pra falar sobre o que sente.

A PlenaPausa nasceu em 2021 vendendo suplemento pra aliviar sintoma do climatério. Em agosto de 2024, ampliou o modelo pra virar algo maior: uma espécie de "Dr. Consulta da menopausa", reunindo vídeos educativos, ferramentas de avaliação, aulas ao vivo, e-books com cardápio e dieta e um grupo de WhatsApp pra tirar dúvida e trocar experiência, conforme reportou o startups.com.br. O resultado até aquele momento: mais de 17 mil mulheres avaliadas na plataforma e mais de 2 mil participando dos círculos de conversa online. A cofundadora Márcia Cunha resume a tese da empresa numa frase que virou bandeira do movimento: "menopausa é uma vírgula, não um ponto final."

A Raquel Menopausa foi pelo caminho do produto digital puro. Lançado oficialmente em abril de 2025 depois de cerca de três anos de pesquisa, o app já passa de 60 mil downloads e registra por volta de 40 mil acessos por dia, com tempo médio de uso acima de 20 minutos, número alto pra um app de saúde. A proposta da fundadora Rossana Caetano, em parceria com o ginecologista André Vinícius, é usar inteligência artificial treinada exclusivamente em pesquisa científica pra acompanhar mais de 100 sintomas físicos, emocionais e comportamentais, com conteúdo disponível em oito idiomas. Até aqui, tudo bancado com capital próprio dos fundadores. A primeira rodada de investimento está planejada pro segundo semestre de 2026, junto com os planos de expansão internacional (startups.com.br).

Duas empresas, dois modelos (conteúdo por assinatura de um lado, app com IA de outro), mas o mesmo diagnóstico: existe demanda represada, e quem chega com ciência ganha a confiança antes de quem promete milagre.

O primeiro sinal é que a demanda já está provada em número, não em achismo. Quando um app de menopausa passa de 40 mil acessos por dia e uma plataforma de assinatura ultrapassa 17 mil avaliações em pouco mais de dois anos, o mercado já respondeu a pergunta que toda marca faz antes de entrar num segmento novo: "existe gente disposta a pagar atenção e dinheiro nisso?" A resposta é sim, e quem esperar mais um ciclo vai competir com quem já tem base de usuária, dado proprietário e reputação construída.

O segundo sinal é sobre o tipo de discurso que funciona. As empresas que estão colhendo resultado venderam ciência e acolhimento, não a menopausa como problema pra esconder nem como decadência pra combater. É a lógica pro-aging que a Fast Company Brasil descreveu: aceitar o envelhecimento em vez de negar. Marca que tentar entrar nesse mercado com o tom antigo, o de "esconder os sinais da idade", vai nadar contra a maré que essas startups já provaram que virou.

E o terceiro sinal é estrutural, não de campanha: esse não é um nicho isolado, é a ponta de um público que só cresce. A mulher de 45 a 59 anos que vive a menopausa hoje é a mesma que vai engordar a estatística dos 60+ nos próximos anos (a faixa que já move R$ 2 trilhões no Brasil). Marca de saúde, bem-estar, beleza, RH ou benefício corporativo que constrói relação real com essa mulher agora não atende um momento pontual da vida dela: entra cedo numa relação que vai durar a década inteira.

A menopausa deixou de ser assunto de rodapé de revista feminina. Virou o ponto onde duas das maiores curvas de consumo do Brasil se encontram, e as empresas que entenderam isso primeiro já passaram da fase de validar a tese: agora escalam em cima dela.

Se a sua marca quer entender como se conectar com esse público sem cair no discurso raso que a economia prateada já rejeitou, é disso que a gente cuida. Fale com a gente: novosnegocios@somos3mais.com.br

Fontes e referências

  • IBGE — Agência de Notícias (2025), Síntese de Indicadores Sociais 2025: crescimento da população 60+ de 22 milhões (2012) para 34,1 milhões (2024) — https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/45343-ibge-mostra-que-um-a-cada-quatro-idosos-trabalhava-em-2024
  • Agência Brasil (abril/2026) — Economia prateada mostra força de consumidores e empreendedores 60+: R$ 2 trilhões/ano e 4,5 milhões de empreendedores 60+ — https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/economia-prateada-mostra-forca-de-consumidores-e-empreendedores-60
  • Startups.com.br (agosto/2024) — Plenapausa amplia modelo para ser Dr. Consulta da menopausa: 17 mil+ mulheres avaliadas, 2 mil+ em círculos online — https://startups.com.br/negocios/femtech/plenapausa-amplia-modelo-para-ser-dr-consulta-da-menopausa/
  • Startups.com.br — Empreendedora cria startup de saúde feminina para apoiar mulheres na menopausa: dados da Raquel Menopausa (downloads, acessos, IA, rodada de investimento H2/2026) — https://startups.com.br/negocios/empreendedora-cria-startup-de-saude-feminina-para-apoiar-mulheres-na-menopausa/
  • Fast Company Brasil — Startups ressignificam menopausa, descobrem público poderoso — e as mulheres agradecem: investimento global em femtech de menopausa (US$ 12 mi em 2021 para US$ 49 mi), pesquisa PlenaPausa sobre impacto no trabalho — https://fastcompanybrasil.com/impacto/startups-ressignificam-menopausa-descobrem-publico-poderoso-e-as-mulheres-agradecem/
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Autoria

Luciana

Escreve para a 3mais sobre marca, cultura e o que move o mercado.

Perguntas frequentes

Por que a menopausa virou o cruzamento perfeito de dois mercados em alta?

Porque ela fica exatamente onde a economia prateada e a quebra de tabu da saúde da mulher se cruzam, e cada uma dessas curvas sozinha já seria grande.

Quem chegou primeiro no Brasil e como está ganhando essa corrida?

Duas empresas mostram dois caminhos diferentes pra capturar a mesma oportunidade, e as duas já têm número pra provar que funciona.

O que esse movimento sinaliza pras marcas que ainda não entraram nessa conversa?

Sinaliza que a janela de "chegar cedo" está fechando, e que o critério de entrada não é campanha bonita — é rigor.

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